< Blog dos Séniores do Futsal do Boavista FC: RUI PEREIRA - O TIMONEIRO

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RUI PEREIRA - O TIMONEIRO

INDICANDO O CAMINHO...COMO VERDADEIRO TIMONEIRO
Hoje falamos com o homem que tem sobre os ombros a pesada missão de conduzir o Boavista no difícil campeonato que vai começar.

Despertando nos seus pupilos a estranha sensação de amor/ódio, pelo tanto que lhes exige, mas pela certeza que com ele todos evoluem e aprendem e é vê-los todos de cara feia mas de sorriso nos lábios, porque o "Pacheco" nunca se distrai.

Vamos lá ouvir o timoneiro.

No que respeita à sua saída na época anterior já explicou ao seu grupo de trabalho. Mas para o exterior sente ser necessário dar alguma explicação?
- Não há mais nada a dizer, na altura que saí expliquei resumidamente as razões da minha saída para que o grupo de trabalho as entendesse e continuasse a trabalhar para atingir os seus objectivos. No inicio da época senti necessidade de lhes explicar de forma mais completa para que não fiquem nenhuma especie de dúvidas.
Agora está na hora trabalhar, está na hora de seguir em frente. O que posso acrescentar é que se a minha saída não tivesse sido correcta para com o Boavista, oito meses depois não me teriam convidado para regressar.

Os objectivos para esta época?
- Na altura que fui convidado para regressar ao Clube era para uma realidade completamente diferente actual, ou seja, o Boavista vindo de um conjunto de problemas financeiros tinha grandes duvidas se conseguiria renovar com grande parte do plantel e aqui abro um parênteses para dizer que nessas altura os jogadores já não eram os mesmo do início da época e o Boavista também perspectivava ter grandes dificuldades nas contratações e na continuidade dos atletas, como digo o cenário de hoje é diferente do que se perspectivava.

Diferente em que aspecto?
- Porque o Boavista conseguiu, grosso modo, renovar com a maioria dos jogadores e nas movimentações do mercado e conseguiu importantes contratações, por isso não estamos a partir do zero. Mas estamos a partir de uma situação muito complicada, a modalidade está a evoluir constantemente os investimentos nos clubes e nos planteis estão mais fortes, vemos as quatros equipas profissionais a reforçarem-se mas vemos logo a seguir um segunda linha de equipas muito fortes, clubes como o Belenenses e o Fundão a ir buscar reforços ao mercado brasileiro, vemos o Olivais a conseguir reforçar-se junto das equipas profissionais, o Olivais foi buscar dois jogadores ao Benfica que foram campeões nacionais a juntar a um plantel que já o ano passado foi aos Play-offs, vemos o Alpendurada a fazer contratações fabulosas e a manter quase o plantel da época passada, com alguns jogadores que à anos atrás conseguiram aqui no Boavista quintos classificados, tudo isto vai originar um campeonato muito competitivo em que se apresentam duas linhas muito competitivas, uma formada pelas equipas profissionais e outra linha com equipas muito reforçadas e com alguns atletas profissionais e existe uma terceira linha de equipas que subiram de divisão, a dúvida que tenho é se o Boavista se vai intrometer na luta das equipas da segunda linha ou vai ter dificuldades e cair nessa terceira, tudo vai depender da resposta de todo o grupo.

Resumindo…
- Muito sinceramente o primeiro objectivo do Boavista para esta época é não descer de divisão. Se conseguirmos ir aos plays-off lutaremos para o melhor lugar, se cair nos Play-out o principal objectivo é manter o Boavista como equipa de primeira divisão.

O futuro estará sempre condicionado ao s resultados deste ano, mas o que espera a curto e médio prazo?
- Este ano vai ser um ano zero na nova realidade do clube e se não existirem dificuldades a nível financeiro e, esta época vai estar muito dependente do cumprimento a esse nível.
A verdade é que o Boavista tornou-se nos últimos tempos um clube muito falado e mediático, com o site e a “+ pantera” foi dos clubes da modalidade que mais se falou, mesmo nos jornais nacionais com iniciativas que também foram do ano zero, que no conjunto formam um ano zero baseado num orçamento curto e rigoroso, que sendo cumprido e se tudo correr bem o Boavista a médio prazo, daqui a dois ou três anos, pode almejar outro tipo de objectivos. E eu não coloco a questão de correr mal.

Considera o plantel equilibrado e fechado, ou ainda o considera em aberto?
- Hoje em dia no desporto e com alterações que aconteceram a níveis de inscrições, os planteis nunca estão fechados, eu desejava que estivesse fechado para saídas e se houvesse possibilidades de um negócio gostava de o reforçar com alguns elementos que fossem uma mais-valia.
Mas continua muito jovem...
- Em relação ao facto de ser um plantel jovem é uma questão á qual sempre respondi da mesma forma, não tenho nenhum problema em jogar com jogadores de nacionalidade portuguesa ou Chinesa de cor amarela ou vermelha, com jogadores de dezassete ou trinta e sete anos. Se durante os treinos se aplicarem e trabalharem nos limites e façam com que o factor idade não seja preponderante e decisivo eu não olharei para os bilhetes de identificação para saber a idade dos jogadores.
O que é importante é que se houver aplicação e competitividade interna, se não houver desmoralização com alguma derrota e não houver um estado de euforia por alguma vitória mais importante, estou convicto que o Boavista pode surpreender muita gente.

A pré-época é muito rica, mas desgastante e perigosa pelo valor dos adversários, não teme os resultados?
- Nem sequer estou preocupado com isso, nem me preocupo com os resultados da pré-época, pois esta não foi perspectivada em termos de resultados senão faríamos jogos com equipas mais fáceis, o Boavista tem uma pré-época muito forte e mais competitiva possível e isso foi deliberado.
Se nos chega um convite para ir a Madrid disputar um torneio com três equipas da primeira divisão espanhola, o Boavista não pode dizer que não! Acho que isto é benéfico porque estamos a jogar nos limites e temos os jogadores a fazer uma pré-época muito difícil no ponto de vista físico e táctico e de encarar uns possíveis maus resultados, nós só podemos evoluir e aprender se nos testarmos com melhores do que nós.
Não podemos querer golear na pré-temporada para nos motivar-mos. O que eu estou a dizer pode ser subjectivo, mas queria lembrar que no ano que o Boavista venceu a super-taça, que é o maior feito da história do clube, perdemos como Charleroi por oito a zero, com o Sporting por seis a zero, com o Beleneneses por oito a três e numa semana depois estava a ganhar a Super-taça ao Benfica.
....
Treinos são uma coisa, torneios são para preparar a equipa e jogos oficiais são outra coisa bem diferente.

Como analisa o calendário do Boavista?
- É tudo muito subjectivo. O que é mais difícil, fazer um jogo com o Benfica e outro com o Sporting e perder os dois, ou ter um jogo com uma equipa que luta para não descer e ter um mau resultado? Qual o resultado que marca mais, perder um jogo com uma equipa da segunda divisão e ser eliminado da taça ou ir à Luz e perder com o Benfica, que não fazemos mais que a nossa obrigação?
As coisas têm que ser encaradas com tranquilidade, não dá para olhar para a classificação ao fim de cinco jornadas, ou seis ou oito e dizer que temos estes ou aqueles pontos, se os adversários ainda não jogaram uns com os outros.

Mas vai obrigar a muito trabalho psicológico para passar determinadas fases?
- Vai obrigar a passar esta ideia correcta, vamos ter vinte e seis jogos, não interessa a ordem com que eles vêem, os calendários são diferentes mas ao fim todas equipas jogam com todos em casa e fora, esta é a mensagem que todos têm que assimilar. Mas se pelo contrário no inicio da prova fizermos um ou dois resultados positivos, que ninguém esteja a contar, aqui nesta fase as pessoas vão perguntar se vamos estar motivados para os jogos que virão a seguir.
Temos que encarar as coisas com tranquilidade, um campeonato é uma prova de temos que estar preparados para isso.

Passou cá metade da época passada, espera esta como uma época mais calma e com mais apoio?
- Espero que a época seja completamente diferente que a época passada, sobre o ponto de vista das condições de trabalho, sobre o ponto de vista das condições de apoio, sobre o ponto de vista como a Direcção vai conseguir cumprir com os acordos e contractos realizados com os atletas, sobre estes aspectos espero que seja completamente diferente.
Sobre o aspecto desportivo não espero uma época muito diferente, cada vez é mais difícil somar três pontos na primeira divisão nacional, cada época que passa é cada vez mais difíceis as equipas estão mais apetrechadas.
É bom para a modalidade…
- Muito bom!

Considera que no futuro o futsal do Boavista poderá lutar pelos primeiros lugares?
- Acho que temos dar um passo de cada vez, não interessa estar a pensar o que vamos fazer daqui a dois anos se não conseguirmos dar as primeiras passadas. Temos que fazer uma época tranquila não andar nas bocas do mundo por maus motivos, mas sim andar nas bocas do mundo pelo site, pela pantera, pelos jovens que se vai lançando na primeira divisão. Andar nas notícias por motivos positivos é fundamental.

A Direcção denominou este ano como ano zero e vimos o Rui Pereira aceitar isso pacificamente, como explica?
- O que me motiva a mim é lutar contra mim próprio, o meu objectivo é ultrapassar os meus limites.
Eu não posso comparar-me com o Paulo Tavares quando o Paulo tem o plantel que tem e eu o que tenho, quando o orçamento do Paulo Tavares foi feito para aquilo e o meu para isto, não há comparação possível.
Não posso comparar-me com o Paulo Fernandes, quando ele trabalha de manhã e de tarde e eu das dez à meia-noite!
Eu tenho a minha realidade pessoal e partindo deste pressuposto a minha ambição é lutar contra mim próprio, para o fazer qualquer realidade é possível, se o Boavista me apresentasse um projecto, se o Boavista tivesse descido de divisão, eu não tinha o mínimo problema de treinar o Boavista na segunda divisão, se tivesse que jogar com um plantel de júnior eu não teria nenhum problema em o fazer!
O que eu quero é que me sejam dados condições e me indiquem os objectivos realizáveis, podem ser difíceis mas realizáveis e eu vou tentar superar-me para os conseguir. O que o Boavista me pediu para o ano zero é mais fácil que aquilo que estava à espera, não tenho problema em treinar na primeira na segunda ou na terceira, o que eu quero é objectivos definidos previamente.

Tivemos conhecimento que você teve dois convites durante a sua paragem e ambos declinou. E aceitou o regresso. Sendo um homem muito racional, pergunto desta vez foi o coração que venceu a cabeça, ou foi uma aposta racional?
- Eu tive três convites formais no período que estive afastado, dois foram para o estrangeiro e um para o mercado nacional. Em relação aos convites para o estrangeiro eram para treinar selecções, quer num e noutro os valores materiais não eram suficientes para eu abdicar da presença junto da minha família e da segurança e da estabilidade profissional, no que diz respeito ao convite nacional foi feito, em minha opinião, relativamente tarde ou seja, o objectivo que a equipa se propunha era praticamente impossível de realizar no tempo que faltava para terminar a época.
Não tendo medo de assumir riscos! Gosto é que, o que me é dado e pedido seja possível de realizar, mas para alcançar os objectivos, nesse caso, o número de pontos tornavam impossível os objectivos pretendidos.

Então foi uma aposta racional, não o coração?
- Foi as duas coisas… por um lado o coração, dizer que sim ao Boavista é sempre mais fácil que dizer que não, para além disso venho trabalhar com pessoas que conheço, com jogadores que conheço como a palma das minhas mãos, com a camisola que admiro e adoro desde pequenino no aspecto racional o facto de confiarem em mim para esta aposta também teve a sua importância.

É a sua maior aposta?
- É muito forte, não para a minha carreira pois eu não estarei dependente do que vai acontecer para valorizar a minha imagem. Quando vim a última vez para o Boavista os objectivos de alcançar o quinto lugar eram mais fáceis do que hoje em dia atingir um dos oito primeiros lugares ou evitar a descida de divisão.

Com a evolução da modalidade, cada vez é mais difícil a manutenção a este nível clubes com a nossa condição?
- Sem dúvidas! Para treinadores e jogadores amadores e clubes com as nossas dificuldades, torna-se muito difícil continuar a competir ao mais alto nível.
Era fundamental que as Direcções dos clubes (não as do futsal) se apercebessem disso. Tem esperança que no Boavista isso aconteça?
- Espero que direcção do Boavista tenha tempo para pensar - porque acho que é uma questão de falta de tempo, absorvidos pelos problemas que têm de resolver diariamente – o futsal no Boavista é a segunda modalidade do clube, pelo apoio que tem dos sócios, pelas pessoas que nos acompanham, pela forma como divulga o nome do Boavista e o faz andar por esse país fora, o Boavista ganhou à pouco tempo uma super-taça, esteve na final da taça de Portugal e na final europeia, por isso quando a modalidade for valorizada dentro do clube e apoiada, não é mais que um pequeno sacrifício porque o orçamento do futsal nada tem a ver com o do futebol de onze, mas mais que isso é corresponder com o anseio dos sócios, que adoram o futsal e sabem tudo à cerca do futsal e gostariam de ver outros objectivos para o futsal do Boavista.

Para finalizar…
- Penso que esta entrevista vai ser lida pelos adeptos que vão ao site e os outros por outra forma dela terão conhecimento, para todos a seguinte mensagem.
Primeiro para a secção em si, espero que todos apoiem a equipa sénior, acompanhem e tentem ajudar ao máximo sobre todos os níveis e prometo que tudo que precisarem de mim estarei sempre ao dispor.
Para os sócios agradecer todo os apoio que me têm dado e a forma como me falaram durante o período que estive fora do Clube, a quem peço o máximo apoio em toda a época, porque precisamos de apoio da Direcção e da equipa técnica mas acima de tudo de todos os Boavisteiros para conquistar pontos, pelos quais vamos lutar.

Percebo melhor os atletas, é que o Rui Pereira não dá descanso e confesso... estou cansado, mas apreendi, afinal com ele o contrário é que é impossível!